A certificação de parapentes existe por dois motivos principais: atestar um mínimo de segurança com base em critérios técnicos e confirmar que o produto corresponde ao que o fabricante declara.
Na prática, a certificação ajuda o piloto a entender melhor a proposta da asa. Ela não transforma uma asa em “segura para qualquer pessoa”, mas oferece uma referência sobre comportamento, resistência estrutural e faixa de uso.
Importante: certificação não substitui treinamento, julgamento, leitura meteorológica nem respeito ao manual do fabricante. Uma asa certificada pode ser inadequada para determinado piloto se estiver fora do peso, do nível técnico ou do objetivo de uso.
Certificações mais conhecidas
Quando se fala em certificação de parapente, algumas siglas aparecem com frequência: DHV, LTF, EN e DGAC.
Historicamente, muitos pilotos associavam o termo DHV à classificação das asas. Com o tempo, a classificação passou a aparecer mais ligada à norma LTF e depois à norma EN, especialmente no voo livre.
DHV e LTF
O DHV é a associação alemã de voo livre. Durante um período, muitos parapentes recebiam classificações conhecidas como DHV 1, DHV 1-2, DHV 2, DHV 2-3 e DHV 3.
De forma simplificada, essas classificações iam de asas mais tranquilas e voltadas a iniciantes até asas mais exigentes, voltadas a pilotos avançados. Com a evolução das normas, a nomenclatura passou a ser mais associada à LTF A, B, C e D.
Norma EN 926
A norma EN ficou muito popular entre fabricantes e pilotos. Ela é dividida em partes, sendo as mais conhecidas:
- EN 926-1: trata de requisitos e testes estruturais.
- EN 926-2: trata do comportamento da asa em voo e da classificação de segurança passiva.
Na EN 926-2, a asa pode receber classificação A, B, C ou D. A classificação final considera o pior resultado obtido nos testes. Ou seja, se uma asa tiver notas boas em quase tudo, mas nota D em um único teste, a classificação final pode ser D.
EN A, B, C e D
- EN A: asas com maior segurança passiva, geralmente indicadas para alunos e iniciantes.
- EN B: asas ainda acessíveis, mas com comportamento um pouco mais exigente.
- EN C: asas com respostas mais dinâmicas, exigindo piloto mais ativo.
- EN D: asas de alto desempenho, voltadas a pilotos muito experientes.
Resumo: a letra da certificação não deve ser vista como status. Ela deve ser vista como uma indicação de comportamento e exigência técnica.
Testes estruturais
Além do comportamento em voo, uma asa precisa demonstrar resistência estrutural. É aí que entram os testes como o shock test e o sustained loading test.
Shock test
No teste de impacto, o parapente é submetido a uma carga rápida e intensa. A ideia é verificar se a estrutura suporta um esforço brusco sem sofrer dano significativo.
Sustained loading test
No teste de carga contínua, a asa é mantida sob grande esforço por determinado tempo. O objetivo é verificar se o conjunto suporta uma carga muito superior à carga de uso normal.
Em termos simples: se o fabricante declara determinado peso máximo de decolagem, a asa precisa demonstrar margem estrutural acima desse valor.
Tamanhos diferentes da mesma asa
Nem sempre todos os tamanhos de um mesmo modelo são testados individualmente. Em alguns casos, o maior tamanho é usado como referência, e os tamanhos menores são tratados por escala e critérios previstos na norma.
Isso acontece porque os materiais, tecidos e linhas podem ser semelhantes entre os tamanhos. Mesmo assim, cada fabricante deve informar claramente a faixa de peso e as limitações de cada tamanho.
DGAC e asas de paramotor
No paramotor, principalmente em asas reflex, é comum aparecer a certificação ou declaração ligada ao DGAC, órgão francês de aviação civil.
O DGAC não é exatamente a mesma coisa que uma classificação EN A, B, C ou D. Em muitos casos, ele está mais ligado à documentação, ao dossiê técnico e à demonstração de que o fabricante declara e comprova determinadas características do produto.
Por que muitas asas de paramotor usam DGAC?
Muitas asas de paramotor têm perfil reflex e comportamento diferente das asas de voo livre tradicionais. Isso muda a forma como alguns testes de comportamento em voo seriam aplicados.
Por isso, no mercado de paramotor, o DGAC acabou se tornando uma referência comum para fabricantes e compradores. Ele ajuda na aceitação comercial e em exigências de alguns países, mas não deve ser confundido com uma garantia absoluta de adequação para qualquer piloto.
Peso de decolagem e público-alvo
A faixa de peso indicada pelo fabricante não depende apenas da resistência estrutural. Ela também considera o comportamento esperado da asa, a proposta do modelo e o público-alvo.
Uma asa que suporta estruturalmente uma carga maior pode continuar sendo inadequada para um iniciante se, naquela carga, o comportamento ficar rápido, exigente ou difícil de controlar.
Para iniciantes: respeitar a faixa indicada pelo fabricante é essencial. Comprar uma asa pequena demais apenas porque “estruturalmente aguenta” pode atrapalhar a evolução e aumentar o risco.
Como usar a certificação na escolha da asa?
A certificação deve ser uma das informações usadas na decisão, junto com:
- peso total de decolagem;
- nível real do piloto;
- tipo de voo pretendido;
- potência do motor;
- local de voo e altitude;
- recomendação do fabricante;
- orientação de instrutor qualificado.
Quer entender qual asa combina melhor com você?
A certificação ajuda, mas a escolha correta depende do conjunto completo: piloto, motor, peso total, experiência e objetivo de voo.